TRIBUTO A JORGE AMADO


De Jailton Alves um dos poetas mais consagrados do sul da Bahia. Sócio e diretor deste Clube.





Ah! Jorge,

você já nasceu amado.

Amado por esse povo

Que você criou.

Da manjedoura

Chamada Ferradas

nasceu você tão amado.

Tornou-se criança

E tão peralta,

Pegando picula na vida

Você mergulhou no rio cachoeira

e de lá pescou os muitos personagens

que você ajudou a criar.

Ah! Jorge, como tu és amado.

Amado por essa gente

Das Terras do Sem Fim.

Essa gente miscigenada que forma o povo brasileiro .

Ah! Jorge.

Seu nome é uma Luz no Túnel.

De lá aprendemos a sentir

O gosto da liberdade.

Com as tuas mãos

Você destruiu todas as Tocaias Grandes

que nos tirava o direito de construir

a nossa história.

Nossa vila virou Cidade.

E das ruas da Bahia

Você pariu as doces crianças do trapiche.

Ah! Jorge como tu és amado.

Pelas pernas dos Capitães da Areia

Percorremos os espaços-mundos

Que a liberdade nos oferece.

E andamos,

E corremos,

E brincamos,

E vivemos.

E como Tereza Batista Cansada de Guerra,

Não cansamos de acreditar que o povo é sábio

E que só ele sabe o que quer.

Atravessamos no litoral da vida

Velejando nos seus veleiros

E descobrimos que o Mar já não é tão Morto assim.

Apesar de tudo Jorge.

Tu nos ensinastes

A cortar o mar da vida

Velejando os nossos saveiros

No ir e vir de todos os dias.

Ah! Jorge como tu és amado.

Com a inocência de Gabriela

aprendemos a subir nas escadas do universo

despidos de tudo que nos aprisiona.

No País do Carnaval brincamos de dançar

E aprendemos a malandrar na inocência de

Vadinho De Dona Flor.

Flor com seus dois maridos

Nos mostrou o quanto é pitoresco amar e ser amado.

Ah! Jorge Amado,

Amado nosso de cada dia,

Tu és tão Amado.

Nós,

Todos nós,

Marinheiros, pescadores, marginais,

Jagunços, políticos de ocasião,

Cafetinas, mulheres perdidas e achadas,

Leões de chácaras e meninos bandidos inocentes,

Por tuas mãos Jorge,

Saímos das fazendas do cacau, dos botecos e botequins, dos prostíbulos e do cais

e viajamos por todos os continentes.

Sem você Jorge,

ainda estaríamos presos

nos Subterrâneos da Liberdade.

Com Quincas Berro d’água brincamos até com a morte.

Ah! Jorge nosso de cada dia.

O Cacau já não produz tanto Suor e tanto ouro.

Jubiabá habita lá nas Terras do Sem Fim.

São Jorge dos Ilhéus observa os dragões da política queimando o povo.

Nossa terra virou uma Seara Vermelha

Banhada pelo sangue da nossa gente.

Ah! Jorge como tu és Amado.

Toma que construam uma Tenda dos Milagres

para acolher os milhões de Joões e Marias

que perambulam pelas ruas do Brasil.

Ah! Jorge,

que saudade do teu sorriso amado.

Tomara meu Deus tomara ,

que apareça uma Tieta deste Agreste

e faça surgir a esperança no seio do nosso povo.

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