DOIS POEMAS RECENTES DE JOSELITO DOS REIS

HERANÇA MÓRBIDA


Quando ouço
O soar dos tambores
Nos morros da minha cidade
Solitária e triste...
Querendo transmitir uma mensagem
Chamando os orixás!
Para nos ajudar...

Lembranças dos gemidos sufocados
Das mortes doloridas ...
Nos troncos dos pelourinhos
Como testemunhas: a lua
E os passarinhos...

Minha alma dolorida dói
E pena de preconceito!
Meu espirito chora...
De ainda se vê hoje
Réstias do rancor
De um tempo que não apagou!

Chegada das famigeradas “cotas!”
Como símbolo do terror
Dos  antepassados 
Onde está a nossa liberdade?...
Que ainda não chegou!

Dos índios, pardos e negros.
Entre os desiguais desta nação.
Motivo do desrespeito de nossa Constituição. 
"Somos todos iguais!"...

RIO CACHOEIRA


Nuvens escuras no horizonte
Contrastando com o infinito
Do céu azul...
Entre a Primavera e o Verão
Correntes de ventos a soprar
De Sul a Norte, de Leste a Oeste
Na minha cidade, de um morto Rio
Chuvas no ar!

Pássaros a voar entre o verde amarelo
Das poucas árvores que ainda restam
Tentando combinar o impossível;
Arranha-céus e mansões sobre um leito vazio...

O Rio a todo custo tenta jogar o oxigênio
Das águas nova no espaço frio
Implorando o seu viver à vida
Tragado por um suspiro de dor...

Sobre suas águas, ora renovadas, ora sujas;
As aves aquáticas gritam em sinfonia
A sua salvação da poluição
Sobre seu leito poluído e desfeito;
Frangos d`água, saracuras bem-te-vis, anuns e paturis
Parecem apelar, à vida mas todos estão surdos...
 
Para onde foram as suas águas cristalinas
Para onde foram nossos Tucunarés;
Robalos, pitus e jundiás?

E, o banhar dos meninos e das meninas
Das lavadeiras, jangadeiros e pescadores 
Dos macucos, juritis e das graúnas?

- Tornaram-se versos escravos
Dos poemas e das poesias dos poetas...
Cercados por uma cachoeira de lágrimas
De uma doença de seres mórbidos sem razão.

Joselito dos Reis
reislito@gmail.com ou resilito@hotmail.com
site - expressaounica.blogspot.com
04.12.14

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