Instituto Macuco Jequitibá festeja 50 anos

Escrito em 1966, o texto Dois Perdidos Numa Noite Suja, do dramaturgo Plínio Marcos, continua atual ao atacar o problema da violência e do destino dos marginalizados na sociedade.
           
            A montagem de Dois Perdidos Numa Noite Suja, de Plínio Marcos, integra a programação de encerramento do edital Agitação Cultural da Secult-BA, que vem sendo executado desde janeiro pelo Instituto Macuco Jequitibá, em Buerarema. O espetáculo estreia no próximo dia 17, às 19h30min, no teatro de bolso da Casa de Cultural Jonas&Pilar (centro de Buerarema). A montagem tem direção de Gideon Rosa com os atores Pedro Lisboa e Rafael de Souza.
          
  Plínio Marcos é aquele autor extraordinário que, no entanto, não conta com o nome cravado na memória da maioria dos brasileiros. Autodidata (estudou apenas o primário), ele fez de tudo na vida, foi principalmente ator, palhaço, dramaturgo e jornalista nos principais jornais e revistas do Brasil. Completaria 81 anos se estivesse vivo. Morreu em 1999, deixando atrás de si uma extensa obra: livros, reportagens,  trabalhos na televisão e, principalmente, peças que serviram de material para o cinema nacional.

            O teatro escrito por Plínio Marcos é visceral na linguagem e nos temas que aborda: o universo dos marginalizados, os seres do submundo, pessoas que não possuem lugar na sociedade. É nesses desgarrados que nada têm a perder que está a matéria prima de um teatro comovente, humano e, sobretudo, sem meias-palavras. Como diz o personagem Tonho em Dois Perdidos Numa Noite Suja,  “o que tem de ser, é “.

            Dois Perdidos Numa Noite Suja particulariza o olhar sobre o comportamento de dois indivíduos que tentam sobreviver, mas que se dilaceram numa luta verbal (e às vezes corporal) até que se destruam mutuamente. A peça retrata a  situação-limite de Paco e Tonho que sobrevivem de descarregar caminhões. Vivem numa espelunca e se maltratam mutuamente num perverso jogo de poder que vai corrompendo a ambos lentamente. Paco é perverso e insidioso e não tem raízes, já Tonho estudou, possui família e está mergulhado numa situação adversa apenas enquanto espera uma oportunidade de emprego redentora. Nada disso acontecerá. Sem saída, Tonho assume a personalidade de Paco e mata friamente o companheiro de quarto.    
       
            “`O texto de Plínio Marcos é muito profundo, possui várias camadas, uma pluralidade de temas que, apesar dos seus 50 anos, são assuntos que não foram resolvidos pela sociedade brasileira. Ao falar de pessoas que estão em situação – limite, Plínio mete o dedo na ferida de temas como sexualidade, exclusão social, jogos de poder e, principalmente, quem está destinado a vencer nesta sociedade que construímos´, diz o diretor Gideon Rosa.

            Gideon observa ainda que o grau de complexidade deste texto é desafiador para atores jovens como Rafael de Souza e Pedro Lisboa. Não se tem notícia dessa montagem com atores tão jovens (Pedro Lisboa completará maioridade no dia da estreia do espetáculo).  Mas tudo isso faz parte do trabalho de formação que vem sendo desenvolvido pelo Instituto Macuco Jequitibá há três anos e que prioriza, sobretudo, o intercâmbio e a circulação de bens artísticos.

Durante o edital, foram realizadas inúmeras oficinas de teatro, dança, contação de histórias, culinária e artesanato. “Agora, com a montagem de Dois Perdidos, tenho a impressão de que ofereceremos a oportunidade de ampliar o horizonte de dois jovens atores, assim como a percepção do público em relação ao teatro que é produzido aqui na região sul da Bahia”, diz o diretor.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

RECUPERAÇÃO DA MATA ATLÂNTICA EM LIVRO

DOIS POEMAS DO NATAL DE JOSELITO DOS REIS

PRODUÇÃO AUDIOVISUAL É TEMA DE NOVO LIVRO DA EDITUS